quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

Na contra capa| "Uma Magia mais Escura" : review (sem spoilers)



“-Sei pois - ripostou Lila, alegremente”. - há a Londres Aborrecida, a Londres do Kell, a Londres Sinistra e a Londres Morta - recitou, contando-as pelos dedos e acrescentando: - Vês? Sou uma aluna atenta." ― V.E. Schwab, A Darker Shade of Magic (Uma Magia Mais Escura)

Uma Magia Mais Escura  foi uma das melhores leituras que 2017 me deu, conquistando a prateleira dos favoritos sem grande batalha.
Primeiro volume da trilogia, introduz Kell, um dos últimos magos com a capacidade de viajar entre três universos paralelos, ligados por uma cidade mágica. A Londres Vermelha - onde vive e serve a realeza - é abundante em magia, que coexiste com os habitantes e é venerada; a Londres Cinzenta, aborrecida e desprovida de dote mágico e a Londres Branca, onde a magia está a consumir o mundo e os seus habitates. Existe ainda uma quarta, perdida na história e fechada aos outros mundos: A Londres Negra.
Oficialmente, Kell é o embaixador do império Meresh, trocando correspondência entre os réis das três Londres. Off books, contrabandista. Transportar objetos entre Londres é proibido e Rhy, príncipe da Londres Vermelha, faz questão de relembrar isso ao "irmão". É esta atividade que nos trás a peripécia da história: Kell aceita um objeto com magia capaz de destruir mundos. Já o fez uma vez.
Desta forma, torna-se traidor, fugitivo, é perseguido, atacado e encontra Delilah Bard, uma fora da lei que o rouba, salva e o obriga a aceitá-la como companheira de aventura.

É receita para uma daquelas fantasias.

A escrita da autora é fluída e emergente, que nos envolve na vida de personagens tão humanos e imperfeitos, que nos parece poder tocar-lhes. Kell está aborrecido, desconhece o seu passado, sente-se só e objetificado pelas pessoas a quem chama família. Rhy é a exceção, bon vivant, bom príncipe e o irmão que Kell considera ter. Lila é ambiciosa, talvez a pessoa mais sonhadora que Kell já conheceu. Irreverente, forte e individualista, não foge da aventura que sempre sonhou ter. Esta é a sua oportunidade.
Para além de elogiar as personagens, o mundo tem de ser referido. V.E. Schwab cria um universo tão intrigante e um sistema mágico genial, que nos faz querer saber mais e mais sobre o mundo. Não consegui pousar o livro. 
O início pinta o cenário da história, mas não de forma lenta ou enfadonha, tudo menos isso.
Ainda não li os outros dois, mas estou ansiosa para fazê-lo. Foi um excelenote começo para uma história que ainda tem muito para descobrir.  Esta foi só a primeira aventura.


Escusado será dizer que recomendo vivamente aos amantes de fantasia. É um YA excelente, que toca nos botões certos. É um preferido que ainda mexe com  o meu lado de fangirl e me faz implorar aos meus amigos que leiam. Leiam porque não é bom, é excelente e, como eu, vão querer mais.


segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

(Des)Aventuras | Galão matinal: primeiro apartamento



Sou aquele tipo de pessoa distraída que se perde a meio das frases, porque simplesmente divagou e mandou o comboio mudar de linha. "Já não me lembro do que queria dizer" é uma frase tão usual no meu dia-a-dia que não só é motivo de piada, como já não é levada a sério. "É sempre a mesma coisa. Hás-de te lembrar". Isto foi só para vos contextualizar a publicação, que, ao fim ao cabo, é sobre apartamentos
Outra coisa que precisam de saber acerca da minha pessoa, de modo compreenderem este post, é que demoro rios de tempo a despachar-me de manhã, em parte por isto mesmo, devido às minhas divagações. Eu engonho (sim, verbo engonhar).
Voltemos ao T1 com hardwood floors e paredes cinzentas
Com o cérebro ainda meio desligado, situação típica de uma manhã em dia de semana, arrastei-me até à máquina do café, depositando demasiadas esperanças no meu galão matinal. De retorno ao quarto, dei por mim a pensar no quanto prezo ter o meu espaço. Talvez por ser introvertida e este ser realmente o meu local de refúgio, quando não há mais sítio para onde fugir. O local onde trabalho, danço, escrevo, leio e que é realmente meu e imutável, por isso seguro. O meu quarto é um ponto estável na minha vida, que só muda se eu quiser que tal aconteça e onde só chegam as preocupações que eu deixar entrar. É a minha própria Sala das Necessidades. Estas ideias materializaram-se em sofás, em prateleiras cheias de livros e em detalhes vintage numa cozinha cor escarlate. Materializaram-se no meu primeiro apartamento, que refletiria tanto de mim e me transmitiria esta calma que tanto aprecio.
Ainda faltam uns bons anos. Ainda falta a faculdade, o primeiro emprego, a carta de condução, a segurança financeira para que tal aconteça... Digamos de passagem que tenho tudo menos pressa para dar este passo, tudo a seu tempo. Este texto não é a exteriorização de uma ânsia incessante de crescer, nunca a tive (nem percebo quem a tem), mas uma reflexão acerca da fantasia que é morar sozinho.
Tornar-se-à solitário? Vejo mais como uma forma de aprender a apreciar a nossa própria companhia, algo que pouca gente sabe realmente fazer (eu incluída), criando poucas oportunidades para tal. Empurramos sempre os amigos para ir aqui ou ali e, quando eles não podem, ficamos sossegadinhos no nosso aconchego.  Tema para todo um outro post. É uma etapa tão importante e tão especial. Escolher a decoração (parte que me encanta), descobrir que não temos nada para escorrer a massa, ter saudades da comida dos papás, só nos termos a nós para reclamar quando as coisas não aparecem feitas... Faz tudo parte de uma experiência que considero tão empolgante. 
Isto pode ser a minha alma fantasiosa a falar, deveras uma versão romantizada da realidade, mas, quis partilhar a divagação que quase me fez perder o autocarro (outra vez).

Convido-vos a puxar-me para a realidade nos comentários abaixo. Gostam deste tipo de post? Faço o "Galão Matinal" voltar? O que é que vos faz perder o autocarro?

sexta-feira, 2 de fevereiro de 2018

(Des)Aventuras| Pelas ruas de Paris: primeira viagem


Fevereiro no Coffee Cup vai começar com uma memória, com uma nota positivamente nostálgica de quem relembra a sua primeira viagem de coração cheio  e  não consegue deixar de escrever o título desta publicação com um sorriso aberto.O final de 2017 marcou a realização da minha primeira viagem e a satisfação da wanderlust que sempre tive em mim. O destino foi Paris, mas aventura começou horas antes da nossa chegada, no avião, porque, até dia 28, voar era coisa que não me assistia e ainda não tinha caído a ficha: "Caraças, é este ano que vou a França.". 
A viagem não foi escolhida ao acaso, de globo e faca na mão, mas esperada durante anos, como só a família de um emigrante consegue esperar. Pois bem, mesmo com guia experiente, perde-mo-nos uma mão de vezes, comprovando a crença já antiga de que a melhor forma de conhecer uma cidade é perdendo-nos nela, da forma mais figurativa e literal.


É a cidade dos amantes de História e de Arte, áreas que não podiam ser mais valorizadas pelo país. Vê-mos marcas da  Segunda Guerra Mundial no Museu do Louvre, ouro nos candeeiros de rua e prédios de tirar o folgo em cada esquina.Cada parede esconde uma história e surpresas encantadoras, como a que vêm acima, simples e num local inesperado. Ficar-me-à na memória como A Cidade da Música, não pelos artistas que encontrei, esses estavam escondidos do frio (à exceção da violinista que estava a tocar no Louvre, mulher de coragem e talento espetaculares), mas porque dava por mim a cantarolar a cada passo que dava. O La Vie En Rose não me largou a mão durante aqueles dias e, hoje, não consigo ouvir a música sem o sentimento quente que senti ao passear em Paris

"Foi como um filme ainda sem cor" 
Primeira descrição da cidade, no meu Diário de Viagens.

Sim, foi tal e qual um filme. Ao olhar para o topo dos prédios, não conseguia parar de me imaginar a acordar com o Sol da madrugada e escrever com uma chávena de café e olhos postos no horizonte parisiense. A cidade surpreendeu-me por tudo o que me fez sentir e que nunca conseguirei traduzir para palavras. Encantou-me por completo. 


Notre Dame foi visto por fora, mas o Louvre foi bem visitado. Perde-mo-nos (What's new?) a caminho da Mona Lisa, rodeada de gente mal educada e quadros lindos, que não têm a devida atenção. Não me interpretem mal, observei os detalhes do quadro de olhos arregalados, recordando tudo o que aprendi sobre ele nas aulas, as teorias de que é alvo e fui seguida pelos olhos de Gioconda com um gosto enorme, o meu problema foram as pessoas, não a obra. Se eu quiser uma fotografia, pesquisaria na internet, eu queria admirar o quadro, as outras pessoas queriam tirar fotos com flash, usar selfie sticks  e desrespeitar as barreiras de segurança. Foi todo um caos para o qual não estava psicologicamente preparada, mas adorei ver a obra de Da Vinci ao vivo e, na parede oposta, o quadro monumental ao qual ninguém estava a ligar nenhuma. Vi obras que sempre quis ver, que estudei e quase caí numa das escadarias. Foi o local mais bonito onde quase caí e olhem que sou uma trapalhona de primeira. 
Pela importância que o povo francês dá à sua história, os museus do Estado são gratuitos até uma certa idade. No caso do Louvre, 26 anos para habitantes e 18 para europeus. 


Não podia deixar de falar dos crepes. OS crepes, atenção. Comi um, porque em Paris tudo é pequeno menos os preços, mas se valeu a pena. Optámos por satisfazer a vontade numa banquinha que encontramos de regresso a casa, que pôs a minha receita a um canto. 
As ruas estão repletas de lojas e lojinhas, não havendo espaço mal aproveitado na cidade. A maioria dos chateaus foram convertidos em apartamentos com espaço para pessoa e meia (ou quatro e um gato, no nosso caso) e não se vêm prédios a precisar de um ombro amigo. A cidade está impecável em termos de restauração do património. É proibido construir prédios em grande parte de Paris, para não estragar o horizonte histórico pelo qual é conhecida. 



Quis deixar-vos uma amostra da minha viagem, da magia que vivi numa semana que me enche de alegria e gratidão por todas as experiências e  dores no final de cada dia. Faltou referir a Torre Eiffel, a ida à Disneyland, a passagem pelo Moulin Rouge... mas isso são histórias para futuras publicações. 




terça-feira, 30 de janeiro de 2018

(Des)Aventuras| Bullet Journal - a minha experiência



Um dos meus grandes objetivos para 2017 era começar a fazer uma melhor gestão do meu tempo, de modo a tornar-me uma pessoa mais produtiva e a conseguir um melhor equilíbrio entre a minha vida de estudante e todas as outras coisas que não envolvem ter a cabeça colada a um manual de História.  Sempre fui uma pessoa de cadernos, calendários e agendas, mas nunca encontrei um sistema que realmente me agradasse e me forçasse a estabelecer planos e objetivos. Quando larguei o ceticismo e experimentei o método de bullet journaling, encontrei esses sistema e vi rápidas melhorias no aproveitamento dos meus dias. 
Ryder Carroll criou um sistema dinâmico e rápido de documentação de ideias, projetos e objetivos, que respondesse às necessidades de cada indivíduo e juntasse num só espaço a complexidade da sua vida. Uma agenda 100% personalizada. O Bullet Journal expandiu-se para uma forma de expressão da criatividade do utilizador, abandonando a simplicidade da caneta preta e dos códigos por símbolo. Tornou-se uma solução popular, pelo que encontramos inúmeros videos  acerca desta forma de planeamento.

Achava este sistema contraprodutivo, demasiado complexo e trabalhoso. Hoje, trago-vos uma opinião totalmente diferente. 

Quero dar-vos vantagens, desvantagens, sugestões que a tentativa e erro me ensinaram, alguns dos meus spreads e canais de Youtube, onde podem encontrar algumas ideias para começar.

sábado, 27 de janeiro de 2018

Mumbling | Gotas de luz (A felicidade cria-se, não se procura)

Fotografia por Pete Johnson - Pexels 

Crescemos com a tendência inata de esperar que a felicidade nos caia no peito. Procura-mo-la como se de um objeto perdido se tratasse, encarnando um gira-sol, bailarino ao doce toque das gotas de luz solar.
Esboçamos um sorriso pelas razões mais simples, razões essas que nos tornam tão nós, tão belos e complexos.

Sorrio quando dou o primeiro gole no meu galão matinal;
Quando faço o mesmo na primeira caneca de chá do dia;
Quando ando de baloiço;
Adormeço ao som da chuva;
Quando a minha canção preferida enche o ar;
Me apaixono por outro livro;
Vejo um filme pela 1005º vez...
Ou descubro um novo que vai para a lista d'Os Espectaculares;
Quando recebo um abraço espontâneo;
Quando vejo alguém empenhado numa coisa que o faz feliz; 

Quando me permito sorrir.

Porque crescemos com a tendência inata de esperar que a felicidade nos caia no peito, mas temos de perceber que a felicidade não se procura, mas se cria, ao olhar para as coisas mais pequenas, para as pessoas mais sinceras da nossa vida. 



Espero que o vosso 2018 tenha começado da melhor maneira! Sintam-se convidados a partilhar as vossas "pequenas coisas" nos comentários abaixo.

quarta-feira, 1 de novembro de 2017

Na contra capa | Reading List - Novembro



Outubro teve poucos dias chuvosos, poucas manhãs de domingo sem muito que fazer, onde os lençóis me brindavam com um calor reconfortante, companheiro de um relógio apressado pelas palavras de um bom livro.
Outubro teve poucas noites calmas, poucas noites onde a vontade de dormir era escassa e a de ler crescente a cada vírgula marcada. 

Outubro não foi, de todo, o "meu" mês.

Li apenas um livro da minha lista e pouco ou nada escrevi (como devem ter reparado). No entanto, as águas acalmaram, os tempos mudaram e estou aqui. Escrevo-vos. Amo o livro com o qual outubro me deixou. Novembro vai ser um bom mês, porque quero que seja e todos gostamos de ter aquilo que queremos.
Escrita e lida a minha reflexão, apesar de vos querer apresentar posts que não literários, o primeiro texto de cada mês tem sido e continuará a ser a minha Reading list.
É certo que acabarei - com todo o gosto e mais algum - "A Rapariga que Roubava Livros", um livro que me está a encantar mais e mais a cada página. Para além dele, o "Caraval" ainda está por ler e ando a magicar outra obra para ocupar o meu tempo livre:


"Fangirl"- Rainblow Rowell
"Fangirl" é um livro que me assusta. Não pelas razões obvias, como ter palhaços, aranhas, ou fazer parte da saga Twillight, mas pelo facto de ser diferente, de me fazer sair da minha zona de conforto literária. 
A protagonista desta obra também batalha com este monstro, com a linha que separa o conhecido da novidade. Cath e a sua irmã gémea,Wren, refugiaram-se na leitura, nos fóruns, nas fanfics e nas personagens dos livros de Simon Snow. Tudo muda quando vão para a universidade, quando Wren se começa a concentrar no mundo real e Cath se questiona se algum dia o conseguirá fazer.
Um colega de quarto arrogante, um professor que despreza os seus gostos e um rapaz, porque há sempre um rapaz. Conseguirá Cath aventurar-se no mundo da escrita? Conseguirá desenvencilhar-se sem a irmã?
Tenho poucas espectativas para este livro, talvez isso seja um aspeto positivo.


Gostaria de colocar um terceiro livro na minha lista mas, muito honestamente, não faço a mínima ideia de qual seria. Talvez me aventure na Bertrand, talvez vá às prateleiras mágicas cá de casa, é um mistério. 
Assim, para além da minha reading list do mês, tenho o objetivo de terminar 50 livros antes de completar 17 anos. O meu Goodreads marca 47, ou seja, preciso de mais 3 livros até dia 22 deste mês. Será que estou à altura?
Como sempre, gostaria de saber acerca dos vossos planos literários, da vossa opinião sobre, neste caso, o "Fangirl" e o que gostariam de ver no blog!


quinta-feira, 12 de outubro de 2017

The one with the... | Review: Riverdale



A par da recente estreia da segunda temporada, falar-vos de Riverdale pareceu-me adequado.
É o tipo de série que nos deixa colados ao ecrã, que nos faz esquecer de responder às mensagens e de beber o chá que preparámos como acompanhante dos 45 minutos de  emoção e mistério que sabíamos ter pela frente. 
Chegamos à cidade perante a morte de Jason Blossom, uma tragédia que abalou Riverdale pelas suas circunstâncias enigmáticas e pela tenra idade do falecido. Depressa percebemos que nem todos os pormenores do dia em que o rapaz se afogou batem certo, que ainda existem histórias para contar e segredos que necessitam de sair do lago.

quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Na contra capa | Reading list - Outubro

Outubro já nos bateu à porta há uns quantos dias - obrigada pela paciência quanto à falta de posts, eles voltarão à normalidade a partir de hoje (3 por semana) - e com ele uma nova Reading List.
Em Setembro, as minhas leituras não desiludiram, acrescentando três novos livros à prateleira "read" do Goodreads. O único que ficou por terminar foi "O Ano da Morte de Ricardo Reis", não por falta de tempo mas sim vagar. Não questionando a sua qualidade, o facto de ser um livro de leitura obrigatória estraga a minha experiência como leitora. Compreendo que o objetivo seja divulgar autores nacionais e incentivar à leitura, no entanto, não o faz e atrapalha os planos literários de qualquer bookworm  ( a Popuri, do blog Polyrhythm, escreveu um post interessante  acerca deste assunto). 
Assim, planeio que a obra de José Saramago acompanhe as minhas restantes leituras, incluindo as três que agendei para o primeiro mês de outono. 

domingo, 24 de setembro de 2017

Mumbling | Até que ponto é que a sociedade nos influencia?

Anna Dziubinska

Concluir que a sociedade onde nos inserimos tem um papel fundamental no nosso desenvolvimento é inevitável. Nascemos dentro de uma caixa, que nos impõe ideias, gestos, certos procedimentos e condena-nos quando ousamos expandir horizontes. 
Não deve ser vista como um bicho, já que é graças a essa caixa que princípios como os Direitos Humanos fazem sentido para nós, que homicídio nos parece bárbaro e casamentos por conveniência ultrapassados. Noutra parte do globo, tais ideias poderiam ser vistas de modo diferente.  
Dito isto, nem tudo é um mar de rosas. Vivemos num mundo onde o preconceito ainda nos assombra, onde a diferença é ostracizada e opiniões fortes silenciadas.
De uma forma ou outra, acabamos por ser constrangidos pelo meio em que vivemos, mas até que ponto é que deixamos que as ideias impostas pela sociedade nos influenciem?

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Na contra capa | 5 clássicos (e respetivas sentenças)



Tal como muitas outras histórias, esta começa com um simples sussurro de curiosidade. Foi ele que me empurrou para os clássicos, para essas histórias tão antigas e icónicas, que ainda inspiram os nossos contemporâneos.
Afinal, o que é um clássico da literatura?
Os resultados da minha pesquisa disseram-me que um verdadeiro clássico sobrevive ao maior dos inimigos, o tempo, não conhece a grande barreira do espaço e é apelativo a qualquer alma que saiba ler, ou seja, costuma ter como base temas que toquem o mais comum mortal: o amor, a morte, o ódio, a inquietação, e afins.
Para mim, este género literário brinda-nos com obras que, por mais antigas que sejam, influenciam (e continuarão a influenciar) gerações. Hoje, escrevo-vos sobre cinco dos clássicos que já li.

domingo, 17 de setembro de 2017

Na contra capa | "Não gosto de ler"


“If you don’t like to read, you haven’t found the right book.”  ― J.K. Rowling
Não havia como saltar páginas ou encurtar a história, eu já a sabia de cor (e não deixava que poupassem nos detalhes).Era impossível aconchegar-me se não tivesse uma caneca com leite achocolatado na mão e um livro pronto a ser lido na mesa de cabeceira. "Outra vez?". Sim, outra vez. Queria que me relessem a história do dia anterior, ou da semana passada, apesar de haverem tantas outras para contar. "Mas é tarde.". Tarde? Nunca é tarde para ler.

Depressa, os meus pais perceberam que tinham criado um monstro. 

Nunca andei de avião mas sinto-me uma pessoa mais do que viajada. Já atravessei um guarda-roupa, andei de comboio até Hogwarts, passeei pela Amazónia, Nova York, Wonderland, Itália e afins, escalei os Himalaias, saboreando as nuvens e o céu, perdi-me no centro da terra  e nos seus segredos infinitos...
Senti mais do que o que a minha vida me permitiu e fiz muito para quem ainda viveu tão pouco. 

Por já ter sido tão feliz em aventuras que não eram minhas, ter sentido tanto e desejado ainda mais, percebo que não gostem de romances, de thrillers ou policiais, mas não gostar de ler transcende-me

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Sleep, dream, write and repeat | O "pessoal" e o "demasiado pessoal para publicar"

Photo by Nick Morrison on Unsplash

A escrita - narrativa ou não - é diretamente influenciada pela personalidade do autor, experiências e realidade que o definem. Largamos um pouco de nós em cada review, texto de opinião e deambulação que escrevemos, revendo nos personagens mais bizarros um bocadinho de nós mesmos ou da nossa verdade. 
Na blogosfera, somos inundados de novas ideias, identidades e convicções, de conteúdo que nos move e nos faz pensar acerca da nossa própria visão. Por muito que esse conteúdo espelhe o seu autor, blogs, anónimos ou não, não são diários.

domingo, 10 de setembro de 2017

Sleep, dream, write and repeat | 5 coisas que aprendi com o meu primeiro blog

Ilustração por Aaron Jay

Quem leu o meu primeiro post sabe que o Coffee Cup não foi o meu primeiro projeto na blogosfera. O The World Through My Eyes nasceu há uns quantos anos atrás, com um papel bem definido de amigo, quando mais precisava de um. Essa foi a principal razão por detrás da minha necessidade de o deixar ir, o facto de precisar que ele evoluísse para algo maior e não sentir que isso acontecesse. Eu cresci mas, por mais alterações de design e projetos, não o conseguia fazer crescer comigo. Com os seus tons de roxo e titulo extenso, ficou preso a um período da minha vida que já passou e a uma escritora que nada tem a ver com a que estão a ler hoje. 
Foi bom enquanto durou e o meu primeiro blog ajudou-me, sem dúvida, em muitos aspetos, contribuindo para perceber umas quantas coisas acerca da minha relação com a blogosfera.
É sobre isso que vos escrevo hoje, sobre  cinco coisas que o meu antigo blog me ensinou.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

(Des)Aventuras | Como as crianças vêm os "mais crescidos"

Fotografia por Scott Webb, no Pexels

Ocupei o lugar de prima mais nova durante muitos anos. Somos uma família numerosa e o meu papel de bijuzinho, única menina num mar de testosterona, enchia-me as medidas . A certa altura, como quem não quer a coisa, passos pequeninos infestaram os eventos familiares e o papel de prima mais velha (para um grupo de três pestinhas) começou a instalar-se no meu coração.
Sempre tive paciência para eles, para correr, para brincar, descalçar as botas de salto alto e andar descalça no parque infantil... Encho-os de mimos, tal como eles me fazem a mim e detesto passar muito tempo afastada.
Este meu papel tem os seus senãos: conversas sobre temas para além das Winks e da Patrulha Pata tornam-se complicadas, comer quando eles já acabaram sem gritos e puxões impossível e há aqueles dias em que tenho de fazer cara feia e dizer não à brincadeira que vai, decerto, acabar em lamuria.
Estava a comer e eles, como sempre, impacientes para que acabasse. Nos meus melhores dias não conseguiria imaginar o que veio a seguir.

"Temos de aproveitar enquanto ainda brincas connosco. Estás a ficar crescida e vais deixar de querer saber de nós."
Escusado será dizer que ouvir isto me partiu o coração.
Já mais velha, a minha prima ouve-me a falar da faculdade, de planos para viajar e de coisas que, por mais que se esforce, ainda não consegue compreender. Ainda bem que não, deixem-nos guardar a inocência deles enquanto o devem fazer. Para além do mais, têm à sua volta os 'inimigos', os mais crescidos, os adultos, que não lhes dão tanta atenção nas festas e almoços. Estaria eu, aos olhos deles, a tornar-me numa dessas criaturas?
Todos temos uma criança dentro nós. Genuína, brincalhona e despreocupada, enterrada no meio das preocupações do dia-a-dia. É compreensível. O mundo dos adultos tem pouco espaço para deixar essa alegria vencer, mas eles não vêm isso dessa maneira.
Eu estou a crescer, é a realidade. Para bem ou para mal, não consigo parar do fazer.
Ajoelhei-me perante eles, de forma a que não vissem mais uma "grande" mas sim um igual e tentei explicar que sim, estou a crescer, que vou ficar tão "grande" como toda a gente mas que, de maneira nenhuma, iria deixar de querer saber deles. Vou continuar a brincar, vou continuar a sorrir e a tentar que eles tragam a minha infantilidade à superfície.
Eles fazem com que me lembre das pequenas coisas, que tanto os fascinam mas que, para mim, já são tão normais. Às vezes torna-se chato brincar uma e outra vez às escondidas. No entanto, nada me deixa mais feliz que ver um sorriso nas caras deles.
Acompanhar os crescimento dos meus primos (e fazer parte dele), tal como o resto da minha família acompanha o meu, é recompensador. Ouvir a minha prima dizer que quer que lhe mostre os filmes da Marvel deixa-me em pulgas, mostrar-lhe Oasis e receber um feedback positivos faz-me delirar, ouvi-los dizer que acham piada ao aparelho, que a minha t-shirt dos Iron Maiden é esquisita e que querem que eu lhes conte tal história outra vez, faz com que esboce o maior dos sorrisos.
Ao ouvir o que ouvi, apercebi-me o impacto que tenho na vida dos pigmeus que tanto adoro. Fiquei nostálgica. Também eles estão a crescer sem sequer se aperceberem. Comecei  mais valor à visão que eles têm no mundo, tão crua e mutável como a que outrora eu mesma tive.

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

(Des)Aventuras | 5 locais em Lisboa que quero visitar




Desde pequena que me sinto hipnotizada pelos encantos lisboetas, pelas ruas e ruelas da cidade, pelas lojas e cafés com conceitos originais que lá habitam e por todo o movimento que a cidade alberga. 
Para além de Lisboa, existe Sintra, que visito de vez em quando com grande entusiasmo. Sempre gostei do nevoeiro, da cor verde e do misticismo que a região comanda. 
E a Ericeira?  Perder-me no mar bravo sobre o céu cinzento invernal, já com uma camisola grossa e desejos de chá quente.

Portugal tem, sem dúvida, sítios maravilhosos. O que não falta é praia, florestas sem fim e cidades onde dá gosto passear. Deixaremos essas histórias para depois, hoje falo-vos da nossa capital e de cinco locais que nela quero visitar.

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Mumbling | Pensar demais


Fotografia pot Pana Vasquez no Unsplash

O nosso coração acelera, sentimos o chão a desabar e respirar torna-se complicado. Ouvimos os segundos a passar, o vento a sussurrar à nossa volta, temos fome, sede e vontade de partir sem ideia de quando voltar, por isso paramos. Respiramos. Ficamos calados. Imóveis. 
Quando seguimos o nosso caminho, estamos chateados e abatidos com o que ficou por dizer. Promessas vazias de um amanhã diferente tomam lugar mas parte de nós sabe, parte de nós reconhece a impossibilidade de fugir ao medo que nos consome, ao medo daquilo que não conseguimos controlar
Debaixo das estrelas, apoiados numa almofada de sonhos, idealizamos o rumo que a conversa haveria de levar. Devia ser assim, simples. Eu contava o que se passou, ele dizia que concordava e tudo acabava bem mas na escuridão, nos confins da minha cidade encantada, reconheço a verdade: eu nunca vou conseguir contar.
Não seria mais fácil? Não seria eu mais feliz? Deveras menos arrependida. As palavras podiam cair, as ações podiam pesar menos, mas não. Os meus movimentos são lentos e as ideias repensadas. Eu podia ter dito "Olá" mas e se fosse inconveniente? Eu podia ter tentado ajudar. No entanto, existem pessoas que podem fazer mais e melhor. Por isso não faço, não digo, não grito e mais tarde sinto-me culpada.
O mundo seria mais fácil (até mais amarelo), se não pensássemos demais. Preferimos deixar a luz apagar, aquela luz que assinala o momento de agir, de deixar que a bravura tome conta de nós. Afinal, o que é que receamos? Falhar? Fazer figura de estúpidos? Todos somos estúpidos, pelo menos uma vez. 
Tenho tendência a pensar demais, decerto não serei a única. Porque é que fazemos isto? Porque é que complicamos e nos martirizamos? É como ter um relógio dentro da cabeça, um daqueles irritantes cujo ponteiro dos segundos teima em falar. É uma voz, constante e aguda que nos diz que iremos cair, por isso mais vale  não andar. É um desafio. 
Muita gente tenta ficar calada, eu tento falar. A voz não sai. Muita gente é impulsiva, eu tento sê-lo. Não consigo.
Um dia vou construir um comboio de palavras, de gestos e de ideias por concretizar. Sentar-me a ler um livro e a beber chá de menta, deixando-me levar pelo sabor amargo desses insucessos. Eles vão relembrar-me do que escrevi hoje, da frustração e desilusão que ficar parada novamente acarreta e lembrar-me-ei que preciso de viver mais um bocadinho.


sábado, 2 de setembro de 2017

Na contra capa | Reading list - Setembro



Se leram o "Sobre mim" do blog, conhecem o meu amor desmedido por livros, amor esse que acaba por  ser negligenciado pelas piores razões. Stress, falta de tempo... podia dar mil e uma desculpas, a verdade é que se deve a uma tremenda falta de organização e descuido comigo mesma. Admito, quando as aulas começam acabo por me esquecer que preciso de arranjar tempo, não para o próximo trabalho de casa, mas para fazer aquilo que me deixa realmente feliz, seja isso escrever, pintar ou passar horas a devorar uma boa história.
Este ano quero por um ponto final a este mau hábito que criei, ser mais organizada e continuar com a reading flow que criei em Agosto (um excelente mês para a minha estante). Nesta nota, decidi que deveria partilhar convosco os livros que planeio ler este mês, até porque poderão esperar uma ou duas reviews das histórias que me vão acompanhar.


quinta-feira, 31 de agosto de 2017

The one with the... | Review: "Dead Poets Society"


" We don't read and write poetry because it's cute. We read and write poetry because we are members of the human race. And the human race is filled with passion. And medicine, law, business, engineering, these are noble pursuits and necessary to sustain life. But poetry, beauty, romance, love, these are what we stay alive for." - John Keating
Nós não lemos e escrevemos poesia por ser giro. Nós lemos e escrevemos poesia porque somos membros da raça humana. E a raça humana está cheia de paixão. E medicina, direito, negócios, engenharia, são atividades nobres e necessárias para sustentar a vida. Mas a poesia, a beleza, o romance, o amor, são a razão para nos mantemos vivos.

"Dead Poets Society" (O Clube dos Poetas Mortos) é um drama de 1989, que tem como palco a Welton Academy, uma escola de excelência e métodos rígidos, exclusiva a rapazes. Em 1959, John Keating (interpretado por Robin Williams), um ex aluno da academia,  ocupa a vaga de professor de inglês e oferece aos seus alunos uma nova abordagem ao ensino,  focada no sentimento, na ousadia e na expressão de ideias próprias, o que abalou a dinâmica autoritária da instituição. As filosofias lecionadas por este professor causam grande impacto nos seus alunos, principalmente num grupo de sete jovens cujo desenvolvimento acompanhamos e que irão ressuscitar O Clube dos Poetas Mortos, a que Keating pertencia quando jovem.
Face a acontecimentos perturbantes, usados pela direção da escola para extinguir as ideias do novo professor, como reagiram os alunos?
Podia ser mais um filme acerca da adolescência mas é tudo menos isso.

terça-feira, 29 de agosto de 2017

The one with the... | 10 momentos inesquecíveis em "Friends" *contém spoilers*



Para os leitores mais atentos ( e fãs da série), o facto de gostar de "Friends" não será novidade, para os restantes, garanto que depois deste post não existirá margem para dúvida.
"Friends", uma das séries mais icónicas na história da televisão,  foi protagonista na década de noventa, inicio dos anos dois mil, permanecendo nos corações de quem acompanhou as dez temporadas. Esta sitcom transporta-nos numa viagem à vida de cinco nova-iorquinos, mantendo o mesma qualidade e nível de humor do primeiro ao último episódio, com personagens e enredo brilhantes. 
Já vi e repeti todos os episódios mais do que uma vez, fiz referências e mais referências aos personagens (por quem nutro grande carinho) e invejei a dinâmica do seu grupo. Hoje, trago-vos dez momentos da série que considero inesquecíveis.

domingo, 27 de agosto de 2017

Mumbling | O mundo precisa de histórias com finais felizes


Roman Kraft

Em criança, quando o mundo ainda  parecia simples e em flor, questionava-me acerca das histórias que lia. Depressa verifiquei que não eram só os livros a sofrer de tal desgraça, que os filmes de sábado à noite, alugados no video clube mais próximo, eram vítimas do mesmo mal. Decidi, por fim, perguntar: "Porque é que as histórias acabam sempre bem?".
Ao início, a minha questão pareceu-lhe deslocada, mas procedi à explicação, que nada tinha de complicado. Finais felizes pareciam-me pouco originais. Ele olhou para mim intrigado.
A verdade é que estamos rodeados deles, de finais felizes, onde as cicatrizes dos protagonistas se tornam pouco relevantes.Muitas vezes, estão subentendias, disfarçadas e os meus olhos inocentes não as conseguiam captar. Afinal, seria obrigatório a princesa conseguir o príncipe? Seria assim tão normal apanhar o criminoso e condena-lo de forma justa?
"Porque o mundo já tem coisas más suficientes. As pessoas precisam de finais felizes para se esquecerem disso.". A resposta dele pareceu-me lógica, fazia todo o sentido, mas porque não simplesmente ultrapassar as rasteiras da vida? Seria assim tão complicado seguir em frente? Mudar o nosso ponto de vista? Utilizar uma perspectiva mais positiva parecia ser a solução para o pior dos males.
Assim, numa demanda pela originalidade, pela descoberta de histórias inesperadas e chocantes, a minha escrita tomou um novo rumo.
As minhas personagens estavam perdidas e melancólicas, o mundo virado do avesso e a felicidade navegava pelo Pacifico numa jangada, que balouçava ao sabor da maior das tempestades. Eu gostava das minhas histórias, diferentes das de toda a gente, de todas as que os meus colegas costumavam apresentar à turma. Elas não me deixavam triste, elas faziam-me mergulhar numa face do mundo que desconhecia. Elas faziam-me sentir.
Cresci e continuei a escrever, deixando as palavras do meu irmão pendidas na caneta. 
Desfiz-me da idea de narrar exclusivamente acerca de dissabores, de flores mortas e  ruelas sombrias, mas esses elementos permanecem hirtos na minha ficção. Deixei de ler e assistir exclusivamente a finais coloridos, mas  não nego o seu sabor especial.
Afinal, o mundo precisa de histórias com finais felizes?
O mundo precisa de histórias.
É desesperante viver na rotina, num circulo de eventos a que nos prendemos sem quê nem porquê. O mundo move-se demasiado rápido e as responsabilidades que recaem sobre nós pesam. Se há dias bons? Aos montes. Termina-los com um bom livro só os torna mais mágicos. Precisamos de histórias para nos desligar-mos do dia-a-dia, para sentir algo diferente, algo novo. Para viajar, pensar e ver com os olhos de  outros.
Sim, precisamos de histórias com finais felizes, mas também precisamos de finais que nos façam chorar, que nos conectem com a tristeza que sentimos.
Precisamos de histórias, por todos os motivos e mais alguns, mas principalmente para que não vivamos exclusivamente nas nossas ideias.