quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Na contra capa | Reading list - Outubro

Outubro já nos bateu à porta há uns quantos dias - obrigada pela paciência quanto à falta de posts, eles voltarão à normalidade a partir de hoje (3 por semana) - e com ele uma nova Reading List.
Em Setembro, as minhas leituras não desiludiram, acrescentando três novos livros à prateleira "read" do Goodreads. O único que ficou por terminar foi "O Ano da Morte de Ricardo Reis", não por falta de tempo mas sim vagar. Não questionando a sua qualidade, o facto de ser um livro de leitura obrigatória estraga a minha experiência como leitora. Compreendo que o objetivo seja divulgar autores nacionais e incentivar à leitura, no entanto, não o faz e atrapalha os planos literários de qualquer bookworm  ( a Popuri, do blog Polyrhythm, escreveu um post interessante  acerca deste assunto). 
Assim, planeio que a obra de José Saramago acompanhe as minhas restantes leituras, incluindo as três que agendei para o primeiro mês de outono. 

domingo, 24 de setembro de 2017

Mumbling | Até que ponto é que a sociedade nos influencia?

Anna Dziubinska

Concluir que a sociedade onde nos inserimos tem um papel fundamental no nosso desenvolvimento é inevitável. Nascemos dentro de uma caixa, que nos impõe ideias, gestos, certos procedimentos e condena-nos quando ousamos expandir horizontes. 
Não deve ser vista como um bicho, já que é graças a essa caixa que princípios como os Direitos Humanos fazem sentido para nós, que homicídio nos parece bárbaro e casamentos por conveniência ultrapassados. Noutra parte do globo, tais ideias poderiam ser vistas de modo diferente.  
Dito isto, nem tudo é um mar de rosas. Vivemos num mundo onde o preconceito ainda nos assombra, onde a diferença é ostracizada e opiniões fortes silenciadas.
De uma forma ou outra, acabamos por ser constrangidos pelo meio em que vivemos, mas até que ponto é que deixamos que as ideias impostas pela sociedade nos influenciem?

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Na contra capa | 5 clássicos (e respetivas sentenças)



Tal como muitas outras histórias, esta começa com um simples sussurro de curiosidade. Foi ele que me empurrou para os clássicos, para essas histórias tão antigas e icónicas, que ainda inspiram os nossos contemporâneos.
Afinal, o que é um clássico da literatura?
Os resultados da minha pesquisa disseram-me que um verdadeiro clássico sobrevive ao maior dos inimigos, o tempo, não conhece a grande barreira do espaço e é apelativo a qualquer alma que saiba ler, ou seja, costuma ter como base temas que toquem o mais comum mortal: o amor, a morte, o ódio, a inquietação, e afins.
Para mim, este género literário brinda-nos com obras que, por mais antigas que sejam, influenciam (e continuarão a influenciar) gerações. Hoje, escrevo-vos sobre cinco dos clássicos que já li.

domingo, 17 de setembro de 2017

Na contra capa | "Não gosto de ler"


“If you don’t like to read, you haven’t found the right book.”  ― J.K. Rowling
Não havia como saltar páginas ou encurtar a história, eu já a sabia de cor (e não deixava que poupassem nos detalhes).Era impossível aconchegar-me se não tivesse uma caneca com leite achocolatado na mão e um livro pronto a ser lido na mesa de cabeceira. "Outra vez?". Sim, outra vez. Queria que me relessem a história do dia anterior, ou da semana passada, apesar de haverem tantas outras para contar. "Mas é tarde.". Tarde? Nunca é tarde para ler.

Depressa, os meus pais perceberam que tinham criado um monstro. 

Nunca andei de avião mas sinto-me uma pessoa mais do que viajada. Já atravessei um guarda-roupa, andei de comboio até Hogwarts, passeei pela Amazónia, Nova York, Wonderland, Itália e afins, escalei os Himalaias, saboreando as nuvens e o céu, perdi-me no centro da terra  e nos seus segredos infinitos...
Senti mais do que o que a minha vida me permitiu e fiz muito para quem ainda viveu tão pouco. 

Por já ter sido tão feliz em aventuras que não eram minhas, ter sentido tanto e desejado ainda mais, percebo que não gostem de romances, de thrillers ou policiais, mas não gostar de ler transcende-me

quarta-feira, 13 de setembro de 2017

Sleep, dream, write and repeat | O "pessoal" e o "demasiado pessoal para publicar"

Photo by Nick Morrison on Unsplash

A escrita - narrativa ou não - é diretamente influenciada pela personalidade do autor, experiências e realidade que o definem. Largamos um pouco de nós em cada review, texto de opinião e deambulação que escrevemos, revendo nos personagens mais bizarros um bocadinho de nós mesmos ou da nossa verdade. 
Na blogosfera, somos inundados de novas ideias, identidades e convicções, de conteúdo que nos move e nos faz pensar acerca da nossa própria visão. Por muito que esse conteúdo espelhe o seu autor, blogs, anónimos ou não, não são diários.

domingo, 10 de setembro de 2017

Sleep, dream, write and repeat | 5 coisas que aprendi com o meu primeiro blog

Ilustração por Aaron Jay

Quem leu o meu primeiro post sabe que o Coffee Cup não foi o meu primeiro projeto na blogosfera. O The World Through My Eyes nasceu há uns quantos anos atrás, com um papel bem definido de amigo, quando mais precisava de um. Essa foi a principal razão por detrás da minha necessidade de o deixar ir, o facto de precisar que ele evoluísse para algo maior e não sentir que isso acontecesse. Eu cresci mas, por mais alterações de design e projetos, não o conseguia fazer crescer comigo. Com os seus tons de roxo e titulo extenso, ficou preso a um período da minha vida que já passou e a uma escritora que nada tem a ver com a que estão a ler hoje. 
Foi bom enquanto durou e o meu primeiro blog ajudou-me, sem dúvida, em muitos aspetos, contribuindo para perceber umas quantas coisas acerca da minha relação com a blogosfera.
É sobre isso que vos escrevo hoje, sobre  cinco coisas que o meu antigo blog me ensinou.

sexta-feira, 8 de setembro de 2017

(Des)Aventuras | Como as crianças vêm os "mais crescidos"

Fotografia por Scott Webb, no Pexels

Ocupei o lugar de prima mais nova durante muitos anos. Somos uma família numerosa e o meu papel de bijuzinho, única menina num mar de testosterona, enchia-me as medidas . A certa altura, como quem não quer a coisa, passos pequeninos infestaram os eventos familiares e o papel de prima mais velha (para um grupo de três pestinhas) começou a instalar-se no meu coração.
Sempre tive paciência para eles, para correr, para brincar, descalçar as botas de salto alto e andar descalça no parque infantil... Encho-os de mimos, tal como eles me fazem a mim e detesto passar muito tempo afastada.
Este meu papel tem os seus senãos: conversas sobre temas para além das Winks e da Patrulha Pata tornam-se complicadas, comer quando eles já acabaram sem gritos e puxões impossível e há aqueles dias em que tenho de fazer cara feia e dizer não à brincadeira que vai, decerto, acabar em lamuria.
Estava a comer e eles, como sempre, impacientes para que acabasse. Nos meus melhores dias não conseguiria imaginar o que veio a seguir.

"Temos de aproveitar enquanto ainda brincas connosco. Estás a ficar crescida e vais deixar de querer saber de nós."
Escusado será dizer que ouvir isto me partiu o coração.
Já mais velha, a minha prima ouve-me a falar da faculdade, de planos para viajar e de coisas que, por mais que se esforce, ainda não consegue compreender. Ainda bem que não, deixem-nos guardar a inocência deles enquanto o devem fazer. Para além do mais, têm à sua volta os 'inimigos', os mais crescidos, os adultos, que não lhes dão tanta atenção nas festas e almoços. Estaria eu, aos olhos deles, a tornar-me numa dessas criaturas?
Todos temos uma criança dentro nós. Genuína, brincalhona e despreocupada, enterrada no meio das preocupações do dia-a-dia. É compreensível. O mundo dos adultos tem pouco espaço para deixar essa alegria vencer, mas eles não vêm isso dessa maneira.
Eu estou a crescer, é a realidade. Para bem ou para mal, não consigo parar do fazer.
Ajoelhei-me perante eles, de forma a que não vissem mais uma "grande" mas sim um igual e tentei explicar que sim, estou a crescer, que vou ficar tão "grande" como toda a gente mas que, de maneira nenhuma, iria deixar de querer saber deles. Vou continuar a brincar, vou continuar a sorrir e a tentar que eles tragam a minha infantilidade à superfície.
Eles fazem com que me lembre das pequenas coisas, que tanto os fascinam mas que, para mim, já são tão normais. Às vezes torna-se chato brincar uma e outra vez às escondidas. No entanto, nada me deixa mais feliz que ver um sorriso nas caras deles.
Acompanhar os crescimento dos meus primos (e fazer parte dele), tal como o resto da minha família acompanha o meu, é recompensador. Ouvir a minha prima dizer que quer que lhe mostre os filmes da Marvel deixa-me em pulgas, mostrar-lhe Oasis e receber um feedback positivos faz-me delirar, ouvi-los dizer que acham piada ao aparelho, que a minha t-shirt dos Iron Maiden é esquisita e que querem que eu lhes conte tal história outra vez, faz com que esboce o maior dos sorrisos.
Ao ouvir o que ouvi, apercebi-me o impacto que tenho na vida dos pigmeus que tanto adoro. Fiquei nostálgica. Também eles estão a crescer sem sequer se aperceberem. Comecei  mais valor à visão que eles têm no mundo, tão crua e mutável como a que outrora eu mesma tive.